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VIDA ÚTIL de 106 ANOS! Muito bem vividos!

“Conheça o primeiro edifício de concreto armado da história”

Vale a pena lembrar que apesar do concreto simples, como material estrutural, ter sido magnificamente aplicado nas centenas de kilometros de rodovias e pavimentos da antiga Roma (por exemplo na Via Apia, existente até hoje nos arredores de Roma), e na cúpula de maior vão livre da antiguidade, o Panteão de Roma com 44m de luz, hoje com quase 2.000 anos (vide Fig. 1), o moderno concreto armado é muito jovem e pode ser considerado o penúltimo dos grandes materiais estruturais de construção civil que a humanidade descobriu.

Figura 1. Cúpula do Panteão de Roma, construída em concreto simples, com uso de agregados leves, pozolana e cal hidratada, 118-125 d.C.

A história registra ainda o uso de um concreto armado primitivo nos dintéis da Igreja de Saint-Geneviève em Paris, também conhecida por Le Panthéon em 1770, conforme mostrado na Fig. 1.

Figura 2. Armaduras envolvidas por concreto primitivo de cal hidráulica, em 1770, em dintéis estruturais

O moderno concreto armado, teve início somente após a patente do cimento Portland por John Aspdin em 1824. Nesses primeiros anos, mesmo na França e na Inglaterra, que eram as duas nações mais desenvolvidas da época, pouca aplicação significativa teve, destacando-se a patente dos franceses Lambot em 1855 para construir barcos e, Monier em 1877, para construir vasos, ambos de argamassa armada.
No fim do século pesquisadores do quilate de Louis Vicat e René Ferét, trataram de tornar esse material mais conhecido e mais confiável, resultando no interesse de seu uso generalizado em estruturas. Há de se recordar também que nessa altura da história o material estrutural de construção civil era o aço que havia chegado às mãos dos arquitetos e engenheiros civis há cem anos atrás.
Com esse embasamento teórico e experimental sobre a confiabilidade desse novo material estrutural e dispondo de um produto industrializado, o cimento Portland, François Hennebique (1841-1921), um construtor francês e auto-didata, desenvolveu e obteve patente para o projeto e construção com base num novo sistema construtivo por ele denominado de “béton armé” cujos primeiros desenhos estão mostrados na Fig. 3.

Figura 3. Desenho típico de um projeto e construção de estruturas de concreto armado de acordo com a patente de Hennebique em 1892.

Para demonstrar as vantagens e segurança desse novo sistema construtivo, Hennebique projetou e construiu o primeiro edifício totalmente de concreto armado, com pilares, vigas e lajes, similar ao que hoje pratica-se em todas as nações do mundo. Demonstrou ser possível, seguro e durável, substituir as paredes portantes por paredes de vedação e os pisos metálicos ou de madeira por lajes de concreto armado, inaugurando em 1901 um prédio de 7 andares onde fez sua residência e seu escritório de negócios, conforme mostrado na Fig. 4.

Figura 4. Rue Danton n.1. 6e, Paris, (quartier Latin), junto ao Sena, 1901. Vida útil comprovada de 106 anos!

Seu descobrimento representou uma revolução tão impressionante na forma de construir que em apenas uma década sua empresa tinha 62 escritórios espalhados pelas principais cidades do mundo, nos 4 continentes Europa, América, África e Ásia. Em 1903 Suiça e Alemanha publicam as duas primeiras normas de projeto e execução de estruturas de concreto do planeta, seguidas por França em 1906, Inglaterra em 1907 e Estados Unidos em 1910. Brasil publica sua primeira norma em 1931, depois de haver projetado e construído dois recordes mundiais em altura, os edifícios A Noite, no Rio de Janeiro e Martinelli, em São Paulo, ambos em fins da década de 20.
O concreto armado foi para Brasil, Argentina, Uruguai e outros países, nos quais não existia indústria siderúrgica capaz de produzir perfis estruturais, o mais importante material estrutural de construção civil da primeira metade do século XX, e continua assim.
Hoje em dia discute-se muito a durabilidade e vida útil das estruturas de concreto armado e protendido. Não existe melhor prova de que o concreto armado é eterno do que esse MONUMENTO EMBLEMÁTICO da era moderna.
Visitando Paris, não deixe de tirar uma foto na porta do edifício mais antigo do mundo, em concreto armado, que hoje, com 106 anos bem servidos à sociedade, comprova a potencialidade do concreto para bem servir à humanidade (Fig. 4).

Figura 4. Tributo ao sistema construtivo de desta era! Entrada do Edifício de Hennebique. 2007.

Indo agora a Paris, não deixe de visitar a maravilhosa exposição “Bétons: étonnez-vous!”, e surpreenda-se com a história e a contribuição do concreto à melhoria da saúde e da qualidade de vida dos povos. A exposição está no Musée des Arts et Métiers e tem o apoio do grupo Lafarge. Eu estive lá... Não perca, vale a pena!

Paulo Helene
Diretor Presidente


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