Ocorreu em clima de alto astral a profícua
reunião conjunta da Diretoria e Conselho
Diretor do IBRACON, em função de
uma certa euforia com os resultados do setor
no ano de 2006, que só não deixará saudades
porque 2007 promete ser ainda melhor.
“
O setor de fundações em concreto
na cidade de São Paulo já não
tem equipamentos suficientes para atender à demanda
destes últimos 6 meses”, comentou
entusiasmado o sócio individual e Diretor
do IBRACON, Eng. Jorge Batlouni da Construtora
Tecnum e do SINDUSCON/SP.
“
Os balanços já realizados apontam
que o Brasil vai superar, ainda em 2006, seu
recorde histórico de produção
e consumo de mais de 40 milhões de toneladas/ano
de cimento”, previu o Conselheiro e sócio
Mantenedor Carlos Eduardo de Almeida, da Holcim.
O Conselheiro, Diretor e sócio Mantenedor
Wagner Lopes não se continha de felicidade
ao explicar que “... chega a faltar caminhão
betoneira para atender à forte demanda
de concreto na grande São Paulo”.
Segundo certos analistas o investimento privado
na área de edifícios residenciais
e comerciais, em 2006, chegará a 60 bilhões
de reais, 80% mais que nos últimos 5 anos.
Some-se a isso o investimento estrangeiro recorde
no país, que nos últimos 9 meses,
alcançou 1 bilhão de dólares
e a recém decisão do Governo Federal
de aplicar 7,7 bilhões de reais do FGTS
no financiamento de imóveis populares
em 2007, fazem qualquer bom arquiteto e engenheiro
de concreto sonhar alto, pois uma grande e significativa
parcela desse montante será investida
em concreto.
Dentro desse espírito empreendedor, o
IBRACON tem em seus planos para 2007, publicar
3 livros tecno-científicos e didáticos
para o setor, várias práticas recomendadas
e muitos eventos promovidos pela sede e suas
Regionais. Imaginem se somarmos as atividades
programadas de outras Associações
e Institutos parceiros?
Não há dúvida que o momento é ímpar
e altamente motivador para o desenvolvimento
do concreto. Já faz um tempo que andamos
de cabeça erguida, cientes e orgulhosos
de nossa profissão, da contribuição à humanidade
e à sua história de grandeza e
pujança. Agora é ora de colher
frutos sem descuidar do amanhã. Vamos
nessa!
As grandes decisões tomadas na reunião
do IBRACON já foram noticiadas, mas vale
a pena registrar que por feliz coincidência
o Presidente da ABCP, eng. Renato Giusti, distribuiu
em primeira mão uma excelente publicação,
recém lançada, que apresenta com
qualidade e justiça um resumo da contribuição
da Associação nos últimos
70 anos, “Uma História de Sucesso”,
merecidamente com este título por inúmeras
razões!
A publicação conta desde a história
da fundação da ABCP, em 1936, poucos
anos depois de iniciada a produção
industrial de cimento Portland no país,
até nossos dias completando 70 anos de
existência. Relembra seus Presidentes,
Dirigentes, Profissionais, Funcionários
e Consultores cujos nomes se confundem com a
história científica, política,
de desenvolvimento social e industrial deste
país, tais como: José Ermírio
de Moraes, primeiro presidente, com um mandato
de 8 anos; seguido de Ary Frederico Torres, professor
da EPUSP e presidente da ABCP por 14 anos; Prestes
Maia, politécnico, que também foi
Prefeito de São Paulo; Epaminondas do
Amaral Filho, politécnico, foi presidente
do IBRACON, conselheiro e construtor; Argos Menna
Barreto, politécnico, militar e também
foi presidente do IBRACON; Francisco Sanz Esteban,
politécnico, também presidente
da ABNT, e outros de igual valor.
Esses dirigentes souberam inteligentemente cercar-se
de profissionais reconhecidos na área
e sempre valorizaram a integração
empresa-universidade-pesquisa. A ABCP abrigou
em seus quadros profissionais de primeiríssima
linha tais como Telêmaco Hyppolito de Macedo
Van Langendonck, Francisco de Assis Basílio,
Hernani Sávio Sobral, Márcio Rocha
Pitta, Yasuko Tezuka e Salvador Eugênio
Giammusso, apenas para citar alguns dos que já nos
deixaram, uma vez que, exercendo a profissão,
há muitos outros de igual valor e prestígio.
A contribuição visionária
desses ilustres engenheiros e dirigentes fica
evidente se à ela associarmos a forte
influência que a ABCP teve na criação
da ABNT, em 1940, plantando as bases para o desenvolvimento
organizado da atividade industrial no país
e iniciando o processo com a publicação
das primeiras normas brasileiras, como podemos
citar, o “Método de Ensaio de Cimento,
o MB-1”, o primeiro procedimento, “NB-1
Projeto e Execução de Estruturas
de Concreto”; a primeira especificação
brasileira, “EB-1 Especificação
de Cimento Portland”, e também a
segunda, “EB 2 Agregados para Concreto”.
Naquele momento histórico e marcante para
o país poucos tiveram consciência
da enorme e pioneira contribuição
do setor de concreto para industrialização
moderna e sustentada deste país.
Na década que se seguiu, o Brasil brilhava
no cenário internacional graças às
contribuições do Prof. Telêmaco,
patrocinadas pela ABCP, que sempre viabilizou
suas viagens a eventos tecno-científicos
no país e exterior, permitindo a integração
de conhecimentos e a divulgação
de nossas pesquisas, além da transferência
de tecnologia com o respectivo efeito sinérgico
positivo que isso acarreta. Seguiram as enormes
contribuições de Francisco de Assis
Basílio, no campo da durabilidade, química
do cimento e das teorias probabilísticas
aplicadas ao concreto, a montagem pioneira de
um centro tecnológico de excelência
nacional no campus da Universidade, uma das mais
completas e bem equipadas bibliotecas especializadas
da América Latina, e, na década
de 70, muito antes da NBR 9000, a ABCP já trabalhava
para implantar uma marca de qualidade e um selo
de conformidade de seus produtos.
Ainda no início daquela década,
em 1972, o pesquisador Gilberto Molinari, desmonstrando
apurada visão tecnológica, fundou
no IPT, com o apoio de Francisco de Assis Basílio,
da ABCP, e outros especialistas de renome, o
Instituto Brasileiro do Concreto IBRACON, que
passou a representar a partir de então
o mais importante canal de divulgação
e de transferência de tecnologia dos trabalhos
sobre concreto no país.
Nas décadas que se seguem, a ABCP tem
valorizado e estimulado seus profissionais a
obterem títulos de mestres e doutores
buscando a excelência de seus quadros.
Mais recentemente é também uma
associada da ABCP (o grupo Holcim), que mantém
o pioneirismo do setor, ao estimular e disseminar
a importância do conceito de sustentabilidade
na construção civil brasileira.
Com olhos no futuro, a ABCP de hoje fortalece
a iniciativa do Construbusiness e capitanea a
união das entidades representativas do
setor, agindo fortemente na formação
da União Nacional da Construção
- UNC, da qual o IBRACON também é signatário.
Parabéns merecidos e efusivos aos 70 anos
da ABCP, aos seus dirigentes, que souberam pavimentar
e tão bem têm conservado a trilha
desenvolvimentista de forma pioneira e responsável.
Cabe agora a nós todos, ABCP e as entidades,
associações e institutos por ela
formados e apadrinhados, herdeiros e usuários
dessa história de sucesso e pioneirismo,
legada por empresários visionários
e profisionais brilhantes, também plantar
uma semente inovadora e fértil para o
desenvolvimento do setor no futuro.
Difícil é saber qual é a
semente certa. Será Certificação
de Pessoal? Será internacionalização
do conhecimento? Ou a união nacional dos
agentes importantes da construção
civil? Ou ainda, quem sabe, a transferência
de tecnologia? Uma super biblioteca eletrônica?
Um laboratório de pesquisas galático
que permita bem estudar, por exemplo, nanotecnologia?
A valorização da engenharia? Difícil
saber, mas no futuro ao olhar para trás,
para a história deixada, queremos ter
a certeza de que se não acrescentamos,
ao menos não teremos estagnado esse patrimônio
de laboratórios, pesquisas, bibliotecas,
entidades, institutos, comunidades de relacionamento,
iniciadas pelos valorosos pioneiros do setor.
Passado um século de seu advento, o material
chamado concreto ainda está em franco
desenvolvimento e vive um momento revolucionário
com os novos aditivos, novos cimentos, adições,
fibras, pigmentos e materiais compósitos.
Até a forma de projetar estruturas está mudando
significativamente devido à evolução
permanente desse material flexível e de
limites ainda desconhecidos. A pesquisa e o investimento
no conhecimento parecem ser a cada dia mais necessários
e profícuos para o progresso. Felizes
e prósperas as sociedades que souberam
enxergar no setor uma importante ferramenta de
desenvolvimento (vide nos USA a evolução
ocorrida com a valorização do ACBM
e, no Canadá, com a valorização
do Béton Canada, que teceberam milhões
de dólares por longos 10 anos para pesquisas
e evolução no setor de concreto).
O concreto não se resume apenas a mais
um produto do mercado sujeito a uma relação
de preços determinados pela oferta e procura.
O concreto e a construção civil
escrevem a história da humanidade de uma
forma diferente da textual e, por isso, nós,
engenheiros, devemos mostrar e nos unir para
a conscientização de profissionais
de outras áreas, da importância
que este material tem, da quantidade de pesquisa
que ainda é necessária ser realizada
e da importância da integração
empresa-universidade e centros de investigação.
Alguns dos jovens CEOs que hoje são líderes
de empresas importantes deste setor, provenientes
de outras áreas do conhecimento, sem o
dom dos visionários empresários,
sem a sólida formação da
engenharia e sem conhecimento da verdadeira e
profunda contribuição do setor
ao desenvolvimento do país e da humanidade,
insistem em enxergá-lo como um simples
fornecedor de commodities, como se o cimento
e o concreto já tivessem chegado a seu
limite de desenvolvimento e que de agora em diante é só uma
questão de “agilidade” mercadológica
e gerência de “resultados”.
Felizmente a maioria ainda entende que o concreto é uma
cadeia complexa de atores que vão dos
laboratórios de pesquisa aos canteiros
de obra, e que unida e com investimentos inteligentes
nos seus pontos nevrálgicos, vai continuar
produzindo muitas e novas maravilhas com esse
material que já é centenário,
mas que, magicamente, ainda se encontra em franca
evolução e com limites imprevisíveis.
Paulo Helene
Diretor Presidente
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