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52º Congresso Brasileiro do Concreto
Seminário debate as causas da RAA, suas medidas preventivas,
o diagnóstico e soluções para estruturas afetadas
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Por ser um mecanismo físico-químico que pode provocar a fissuração do concreto, entre outros problemas para as obras de concreto, a reação álcali-agregado (RAA) é tema freqüente em congressos, seminários, simpósios e palestras voltadas para os engenheiros civis. O objetivo dessas discussões é sempre o mesmo: conhecer melhor o fenômeno para evitá-lo em obras novas e remediá-lo nas em uso. |
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Com este objetivo, o Instituto Brasileiro do Concreto – IBRACON promoveu no 52º Congresso Brasileiro do Concreto, maior fórum nacional de debates sobre o concreto e seus sistemas construtivos, ocorrido de 13 a 16 de outubro, em Fortaleza, o Seminário “A Reação Álcali-Agregado:
causas, diagnós-tico e soluções”.
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A coordenação do seminário ficou a cargo do diretor do IBRACON, Prof. Cláudio Sbrighi Neto, do conselheiro do IBRACON, Eng. Selmo Kuperman, e do gerente de tecnologia da Associação Brasileira de Cimento Portland – ABCP, Prof. Yushiro Kihara.
A RAA é uma reação entre os álcalis do cimento – encontrados nas soluções presentes nos poros do concreto – e alguns minerais instáveis em condições de pH alto (igual ou maior do que 12,4), que forma um gel expansivo, na presença de água. Sua expansão progressiva gera tensões internas na estrutura, provocando sua fissuração, bem como deslocamentos horizontais e verticais relativos, que podem trazer problemas operacionais e custos de reparação.
Segundo o professor da Universidade Laval, em Quebec, no Canadá, convidado para a palestra de abertura do Seminário (“O estágio atual do conhecimento da RAA”), Dr. Benoit Fournier, o primeiro relatório sobre a RAA foi de uma obra no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, no ano 1940. De lá para cá, os casos só aumentaram. Hoje, sabe-se que a RAA é uma manifestação patológica espalhada pelo mundo, sobre a qual já se produziram milhares de artigos, recomendações para sua prevenção e manuais de orientação para a recuperação de obras afetadas.
“Na década de 70, poucas pesquisas abordavam o tema da RAA no Brasil, porque não se acreditava nessa reação. Hoje, passamos ao extremo oposto: vemos RAA em tudo!”, comentou o relator do seminário, Prof. Vladimir Paulon, da Universidade Estadual de Campinas - Unicamp.
Pesquisa bibliográfica apresentada pela pesquisadora de Furnas, Dra. Nicole Hasparyk, revelou aos cerca de 300 profissionais presentes no Seminário a quantidade e qualidade de pesquisas realizadas em instituições de pesquisa brasileiras atualmente.
Apesar de haver dois tipos de reações – a álcali-sílica e a álcali-carbonato – o primeiro tipo é o mais comum, sendo objeto de maior número de pesquisas. Há casos registrados da ocorrência do segundo tipo apenas no Canadá, Estados Unidos, China e Áustria.
“No Brasil, há bem pouco tempo, a RAA concentrava-se em obras hidráulicas de grande porte – barragens de usinas hidrelétricas. Recentemente, em Recife, foram comprovados vários casos de fundações com RAA”, observou o palestrante Eng. Leandro Sanchez, doutorando da Universidade Laval, que abordou a evolução dos ensaios laboratoriais para detecção da RAA.
Hoje, sabe-se de casos de RAA em pontes, pavimentos, viadutos, túneis, entre outras obras de concreto. |
Medidas preventivas
Todavia, a despeito da disseminação da patologia nas obras de concreto no Brasil e no mundo, o problema é contornável na visão dos especialistas do Seminário. “Em 2010, não há razões para se construir estruturas de concreto que possam vir a apresentar RAA”, asseverou Fournier. |
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As medidas preventivas apresentadas são de fácil implementação:
1- Não usar agregados reativos, quando possível
Recomendação nem sempre possível de seguir, seja porque não existem agregados não reativos disponíveis, seja porque o transporte de agregados não reativos é muito custoso.
2- Seleção qualitativa dos agregados
O agregado conhecido por apresentar um histórico de ocorrência de RAA pode ser usado. Neste caso,
a) A primeira avaliação é determinar onde será usado: se em estruturas provisórias, correntes ou especiais; se em estruturas expostas à umidade ou em contato permanente com a água;
b) Em seguida, faz-se necessária a classificação do agregado quanto ao seu grau de reatividade potencial, por meio de ensaios laboratoriais;
c) Por fim, com base nessas informações, lança-se mão de medidas de mitigação da reação: limitação do teor de álcalis no concreto; utilização de materiais inibidores da RAA, tais como: sílica ativa; cinzas volantes; metacaulim; etc
Essas medidas com relação ao uso do agregado reativo são contempladas na norma brasileira ABNT NBR 15577/2008, que foi comentada pelo palestrante Geol. Arnaldo Battagin, chefe dos laboratórios da ABCP. Segundo Paulon, “os laboratórios de Furnas e da ABCP são dos mais importantes no país no estudo da RAA, de modo que as contribuições trazidas pelo Arnaldo Battagin, para o aperfeiçoamento da NBR 15577, foram muito pertinentes”.
“As medidas preventivas devem estar sempre relacionadas com os materiais (tipos de agregados e de cimento), com o traço da obra, com o tipo de estrutura e com o ambiente de sua inserção. Assim, quando os alunos vêm me perguntar:
‘- Professor, o basalto é bom para fazer concreto?’
Eu respondo: 'É bom para quê? Para que tipo de concreto? Para que tipo de estrutura? Qual o meio de inserção?’”, complementou Sbrighi Neto num de seus momentos de mediação.
Reabilitação de estruturas deterioradas
Se a concordância é geral quanto à compreensão global do fenômeno da RAA e às medidas preventivas a serem tomadas para evitar a patologia na estrutura a ser construída, não há consenso quanto à efetividade das medidas de reabilitação das estruturas afetadas pela RAA. |
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Segundo Sanchez, “os métodos atualmente utilizados são caros, de difícil aplicabilidade e, muitas vezes, não se mostram eficientes”.
No Seminário foram apresentadas algumas técnicas para a recuperação de obras afetadas pela RAA. O Eng. José do Patrocínio Figueroa, da Engedata, apresentou um estudo de caso de um edifício público com 12 anos de construção, com problema de RAA em bloco de fundação. Entre as técnicas de reabilitação e reforço implementadas no caso, foram abordadas a injeção de microcimento nas fissuras, o anel de reforço, a armadura de pele e a protensão das barras Dywidag. Fournier apresentou diferentes técnicas de reabilitação de estruturas de concreto com o uso de produtos à base de lítio, que, no entanto, na avaliação de Paulon, são, em geral, muito caros.
Divergências à parte, o clamor geral é de que as estruturas afetadas pela RAA precisam ser monitoradas, em especial, as barragens, acompanhando a evolução da expansão da reação, justamente por causa das conseqüências da RAA na operação desses empreendimentos, aspectos abordados nas palestras do Eng. Flavio Salles, da Companhia Energética de São Paulo – CESP (“O monitoramento e a identificação da RAA em estruturas de concreto”), do Eng. Alberto Jorge Cavalcanti, da Companhia Hidroelétrica do São Francisco – Chesf (“O impacto da RAA nas usinas hidroelétricas brasileiras”), e do Prof. Eduardo Fairbairn, da Coppe/UFRJ (“Simulação dos efeitos da RAA em estruturas de concreto”).
“Nós temos obras no Brasil que sofreram intervenções por causa da RAA. São obras que exigem estudos, que demandam acompanhamento. Dizem que o Brasil é o terceiro país do mundo com mais obras afetadas pela RAA. Eu tenho minhas dúvidas, pois não temos o cadastramento das obras afetadas na proporção que os Estados Unidos e o Canadá têm”, alertou Paulon.
O Seminário contou com o apoio institucional da Associação Nacional de Entidades Produtoras de Agregados para a Construção Civil – ANEPAC, e com o patrocínio de dois de seus associados: a Embu SA Engenharia e Comércio e a Basalto Pedreira e Pavimentação Ltda.
Para saber mais sobre o assunto, as apresentações dos palestrantes citados encontram-se no hotsite do 52º Congresso Brasileiro do Concreto, em www.ibracon.org.br
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