Nl Vida Útil
Painéis discutem
durabilidade e segurança de obras
 A
comunidade técnica mobiliza-se para discutir, entender
e propor soluções para evitar colapsos e manifestações
patológicas precoces em edificações
no Brasil
As reações álcali-agregado (RAA) é tema
inédito na engenharia de edificações.
Até recentemente, esse tipo de reação
era conhecido como típica de obras em contato permanente
com a água, como barragens e pontes.
A reação álcali-agregado é reação
química entre o hidróxido alcalino do cimento
e o óxido de silício dos agregados (areia ou
brita), minerais reativos na presença de água.
Tal reação forma um gel expansivo ao redor
dos agregados do concreto, que atrai mais água para
o interior da estrutura, desencadeando uma reação
contínua. O resultado é a formação
de fissuras, que podem determinar uma menor vida útil
das edificações e das obras de concreto.
Após o desabamento do edifício Areia Branca,
na região metropolitana de Recife, e de outras duas
edificações em Olinda, a comunidade técnica
mobilizou-se no sentido de inspecionar estruturas e fundações.
“Existe uma estimativa de 16 casos de fissuração
em blocos de fundação de edificações
na região metropolitana de Recife, desde janeiro até a
presente data, sendo que em seis casos, nos quais foram realizados
ensaios petrográficos, constatou-se a presença
da RAA”, explicou o professor da Universidade de Pernambuco,
Tibério Andrade, em painel realizado durante o 47º Congresso
Brasileiro do Concreto CBC2005. “Em dois casos em que
ainda não foi realizado o ensaio petrográfico, é evidente
a presença da reação álcali-agregado”,
completou.
Apesar da gravidade do problema, diagnosticado
como decorrente uso de britas reativas provenientes de
algumas jazidas de
granito próximas a Recife, os engenheiros que compuseram
a mesa do painel foram unânimes em rechaçar
qualquer atitude ou medida alarmista. “A RAA não
leva ao colapso repentino da estrutura, nem pode ser a única
causa do desabamento de uma edificação. O importante é a
análise de cada caso e a adoção das
medidas corretivas cabíveis, tais como: impedir o
ingresso de água; tratamento químico para atenuar
a velocidade de reação; restrição
das deformações e alívio das tensões
na estrutura”, argumentou o engenheiro Selmo Kuperman,
relator dos estudos realizados pelo Comitê de Especialistas
do Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon).
O Sindicato das Indústrias de Construção
de Pernambuco (Sinduscon-PE), conjuntamente com entidades
congêneres, universidades, fornecedores e profissionais
especializados no assunto, tem discutido as reações álcali-agregado
e sugerido recomendações para prevenir o problema:
pesquisa e mapeamento de jazidas, para caracterização
dos agregados quanto ao potencial de reatividade; estudo
do potencial de inibição dos cimentos pozolânicos
e das adições minerais presentes na região;
emprego de cimentos com adições minerais, para
concretos de fundações e de obras em contato
permanente com a água; monitoramento das fundações;
conscientização do usuário de que a
RAA é uma patologia a ser monitorada e tratada; soluções
de recuperação em termos de segurança
e viabilidade econômica.
O IBRACON tem participado também dessa mobilização
do meio técnico, com a promoção de um
debate técnico sobre o desabamento do edifício
Areia Branca, promovido, em dezembro último em São
Paulo, do qual resultou um Manifesto Público (acessível
na Internet: www.ibracon.org.br), e com um painel especial
no 47º Congresso Brasileiro do Concreto CBC2005, desdobramento
das discussões ensejadas pelo debate, proferida pelo
engenheiro Romilde de Almeida Pereira.
O diretor da Associação Brasileira de Consultoria
Estrutural (Abece), Sérgio Osório, defendeu
a realização de inspeções obrigatórias
nos elementos de fundação (sapatas e blocos)
de edificações com mais de dez anos, independentemente
de a superestrutura da obra apresentar sintomas de reações álcali-agregado.
Outras medidas que precisam ser adotadas: investigação
da fundação sempre em que houver indicadores
(trincas e recalques); obrigatoriedade de inspeção
de pilares com tubulações anexadas e junto
de caixas de passagem; verificação da localização
de sistemas de fossa, filtro e reservatório inferior,
assim como do nível do lençol freático.
“A vida útil das estruturas diz respeito à segurança,
estética, estabilidade e funcionalidade da obra, critérios
observados pela nova NBR 6118. Porém, sintomaticamente
não aparece na norma nenhuma menção
a RAA. Este fato aponta para a novidade do tema e para a
necessidade de que seja melhor pesquisado e esclarecido,
resultando em medidas práticas de prevenção
e de correção de problemas”, declarou
o presidente do IBRACON, professor Paulo Helene.
Leia mais nas páginas 30-32 da revista CONCRETO nº 39
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