Arquitetos brasileiros apontam
as tendências da arquitetura contemporânea
Exemplificando com
suas obras, arquitetos expõem as linhas de concepção
da arquitetura brasileira
Quais os
desafios da arquitetura contemporânea brasileira? A esta questão fundamental
procuraram responder os arquitetos Alexandre Chan, Sérgio
Parada, Marco Antonio Borsói e Carlos Fernando Pontual,
em painel organizado no 47º Congresso Brasileiro do
Concreto CBC2005, ocorrido de 2 a 7 de setembro, em Olinda,
Pernambuco.
Os arquitetos foram unânimes em afirmar a ligação
intrínseca da arquitetura contemporânea com
a cidade. Hoje em dia, as obras de arquitetura consistem,
em sua maioria, no que os arquitetos chamam de equipamentos
urbanos: escolas, hospitais, aeroportos, pontes, etc. Não
foi por acaso que tais obras permearam as intervenções
de cada participante do painel.
Sérgio Parada expôs os detalhes de concepção,
linguagem e projeto do Aeroporto Internacional Juscelino
Kubitschek (1999-2003), Condomínio Residencial Torre
(1995), Centro de Lazer Farol do Lago (1997-1999), todos
em Brasília, dentre outros, apontando a conciliação
entre os materiais concreto, aço e madeira em obras
arquitetônicas contemporâneas e ressaltando o
concreto aparente como revestimento. Ricardo Fernando Pontual
compartilhou sua experiência na restauração
do Prédio da Alfândega, obra histórica
de Recife, transformada em shopping center. “As intervenções
foram no sentido de funcionalizar o espaço, rompendo
com os paradigmas de restauração”, esclareceu
o arquiteto.
Outro desafio da arquitetura contemporânea brasileira é a
de associar projeto e execução, aspectos íntimos
e vitais de uma obra arquitetônica, segundo a visão
do arquiteto Marco Antônio Borsói. “No
projeto do Centro Administrativo de Uberlândia considerou-se
além da expressão formal da obra e sua interação
com o entorno, a construtividade do projeto”, pontuou
Borsói.
Pontual defendeu ainda a necessidade
dos arquitetos lutarem pela cidade formal frente à omissão dos governos
no planejamento urbano. O conceito diz respeito a uma cidade ‘onde
cada obra, ao mesmo tempo que expressa a diversidade cultural,
econômica e social, compõe com as outras uma
unidade estética e funcional, que responda aos desafios
do crescimento das cidades e da superpopulação’.
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