46° Congresso Brasileiro do Concreto
Florianópolis - SC
   

Conferencistas internacionais discutem o futuro da tecnologia do concreto

O último dia do 46º Congresso Brasileiro do Concreto, evento ocorrido de 14 a 18 de agosto de 2004, no Centro de Convenções de Florianópolis, foi marcado pelas palestras de conferencistas internacionais.

O Mohan Malhota, do CANMET Energy Technology Centre (Otawa, Canadá), após sua exposição da história do cimento no mundo e sua contribuição para o desenvolvimento da engenharia, concluiu pela menor emissão de CO2 da indústria de cimento (7% do total emitido) em relação à combustão de combustíveis e pela pouca durabilidade das estruturas de concreto convencional, o que exigiria sua substituição pelo concreto auto-adensável, que utiliza altos teores de substitutos de cimento (tais como cinzas pozolânicas e escórias de usinas termelétricas).

O engenheiro Oladis de Rincón, do CYTED – Ciência y Tecnología para el Desarollo (Madrid, Espanha), explicou ao auditório de aproximadamente 500 pessoas os modelos do sistema lifejacket, espécie de malha de proteção da armação, concluindo pelo uso do alumínio como melhor aplicação e do concreto como eletrólito para proteger o aço. Sua exposição foi complementada por Maria Del Carmen Andrade, do RILEM – Internacional Union of Laboratories and Experts in Construction Materials, System and Structures, que explicou como a resistividade do concreto pode ser usada para diminuir a taxa de corrosão e a propagação de cloretos. Outra palestra referente ao assunto da proteção das armaduras foi proferida pelo engenheiro Pedro Castro, do Cinvestav – Centro de Investigación y Estudos Del IPN (México), que expôs as vantagens e desvantagens dos diversos sistemas de revestimentos. “Em média, a pintura das barras de aço das armações as mantêm em bom estado durante 35 anos, apesar da desvantagem de perda de aderência, em torno de 35%”, concluiu.


Terrence Holland, do ACI – American Concrete Institute (EUA), procurou responder ao problema das causas da fissuração em concreto de alto desempenho, relacionando-o à retração plástica, às junções das pontes e à rigidez do concreto. Como solução propôs aumentar a proporção água/cimento, sem diminuir a qualidade do concreto. Já, o Prof. Swami, da Sheffield University (Inglaterra), esclareceu sobre as possibilidades de uso das fibras vegetais no concreto, recomendando seu limite em torno de 10 a 30%, devido aos problemas de perda de aderência, rigidez e ductilidade.

O engenheiro James McDonald, do ACI, expôs o método de reparo de eclusas e de cais com placas pré-fabricadas, que usam concreto de boa qualidade com menor custo.

Para explicar o método do impacto-eco, criado em 1953, para se determinar o interior de estruturas de concreto, o Instituto Brasileiro do Concreto convidou o Prof. Nicolas Carino, do NIST – National Institute of Standards and Technologies (EUA). Ele explicou os modelos das ondas de tensão P e S, usadas para determinar as espessuras de falhas na estrutura de concreto.

O engenheiro Bruno Contarini (Brasil) deixou a platéia em estado de graça ao expor os percalços do relacionamento criativo entre o projetista de estruturas e o arquiteto, para o caso do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, concebido por Oscar Niemayer. Sua exposição foi dividida nas três partes que forma a obra: a cobertura feita com vigas protendidas; o hall de exposição estruturado com o cruzamento de cabos, devido ao elevador na área central; e o subsolo e fundações, feitos com armação em sapata.